ALGUNS ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO CAPITALISTA ACTUAL por Antxon Mendizabal e Sagra Lopez. Publicado em ALDARRIKA: Observando de perto o inimigo. Dossier FMI, BM, GATT. Seminário Erándio 1, 2, 3, Julho de 1994. Pp 3-17
O controlo planetário dos recursos por corporaçons multinacionais que nom obram atendendo o bem comum, mas em funçom dos seus próprios interesses particulares tem formulado o problema do esgotamento dos recursos energéticos (jazigos de energia solar concentrada e acumulada nessas minas de carvom e nessas bolsas de petróleo e gás natural como conseqüência de 4000 milhons de anos de evoluçom) e de matérias primas necessários para a produçom e o crescimento. Assim, calcula-se que as reservas energéticas do planeta podem esgotar-se num período que oscila entre os 50 e os 200 anos. Mas o american way of lige fai com que um norte-americano consuma em média mais do que 50 haitianos, de maneira que se os povos pobres começassem a consumir como as sociedades industrializadas as reservas mundiais do petróleo se esgotariam em 10 anos.
A evoluçom da economia capitalista ao serviço dos exclusivos interesses das citadas corporaçons fai também com que o planeta perda 15 milhons de hectares de florestas por ano (dos que 6 milhons se tornam em desertos), enquanto a chuva ácida destrui os bosques e os lagos do norte, os resíduos tóxicos envenenam os rios e os mares, o clima se altera polo aquecimento da atmosfera, a erosom destrui cada ano um equivalente à superfície cultivável da Península Ibérica e a Quarta parte da humanidade deve conformar-se com beber água poluída por nitratos, pesticidas e resíduos industriais.
Desde a Primeira Conferência Mundial do Clima em Genebra, organizada pola Assembleia das naçons Unidas em 1979, as investigaçons climatológicas tenhem experimentado um grande auge e tenhem demonstrado que o homem está a alterar o clima a escala global mediante o aquecimento da atmosfera, agudizando o efeito estufa. As conclusons do Simpósium sobre o "Dióxido de Carbono e outros Gases de Estufa: repercussons climáticas e derivadas" organizado pola Comissom das Comunidades Europeias em Novembro de 1986, indicavam um aquecimento da atmosfera entre 1,5 e 4,5 graus centígrados nos próximos 50 anos.
Na Conferência de Toronto celebrada em Junho de 1988 estimou-se que como fruto dos efeitos do desgelo dos pólos provocado por estes aumentos na temperatura média, poderiam subir o actual nível do mar entre 30 centímetros e 1,5 metros para meados do século XXI, de maneira que num período de menos de 100 anos, cidades situadas perto do mar, como Nova Iorque, Londres, Tókio, ou Bangkok, desapareceriam pola acçom das marés.
De outra parte, tem-se descoberto a existência de um buraco de ozono de umha altura similar à montanha do Everest e de umha amplitude equivalente à dos Estados Unidos na zona da Antártica que semelha provocada pola incontrolada emissom à atmosfera de clorofluorocarbonos e outros gases, que destruem o ozono. Cumpre considerarmos que à medida que diminui a camada de ozono, a superfície terrestre recebe mais radiaçom ultravioleta com conseqüências importantes como a alteraçom dos sistemas imunológicos das pessoas, o incrementos dos cancros de pele e cataratas, o esgotamento dos bancos de peixes devido à eliminaçom do pláncton que os alimenta e a diminuiçom das colheitas.
A poluiçom do ar, que atinge níveis muito altos em muitos países industrializados, é também o principal causante da chuva ácida que se produz quando os gases emitidos pola queima de combustíveis fósseis se depositam posteriormente em forma de chuva, neve, geadas ou rocio, a milhares de quilómetros da emissom, provocando danos no ambiente e a saúde humana. Assim, actualmente acha-se que mais de 50% da massa florestal de países como a Alemanha, Checoslováquia, Reino Unido, Itália e Suécia está danada. (20)
A alarmante repetiçom das manifestaçons destes desequilíbrios combina-se com os limites objectivos da biomassa utilizável no nosso planeta (já que o actual nível de produçom mundial requer 40% da biomassa existente), tornando imprescindível um debate em profundidade sobre os limites do crescimento.
A "Cimeira da Terra" celebrada no Rio de Janeiro em Junho de 1.992 que reuniu os Governos do Mundo para tratar estes problemas em três convençons (sobre o clima, sobre os bosques e sobre a biodiversidade), adoptou medidas como a criaçom de "fundo" para financiar projectos ecológicos no terceiro mundo, que podem no melhor dos casos paliar o problema, mas nunca solvê-lo, umha vez que nom questionam a lógica depredadora capitalista actual (causante da situaçom) e som irrisórias ante a magnitude do desastre acumulado.
As mudanças climáticas generalizadas, o buraco de ozono, a chuva ácida, os acidentes nucleares, o efeito estufa, o "smog" e outros fenómenos provocados polo actual modelo de desenvolvimento indicam que GAIA, a mae terra, unidade de todo o vivente (condiçom da sobrevivência de todos/as) está doente de gravidade.
Quatro ou cinco milénios antes da nossa era, com a implantaçom do patriarcado e a sociedade de classes, origina-se um processo que pode ser considerado como de rebeliom contra a natureza e 200 anos de capitalismo e 70 de socialismo real (21) culminam um processo em que quase todo o vivente se imola em aras da "Deusa produtividade". Precisamente a hipótese de que GAIA (o planeta terra) nom é "o habitat da vida" mas "parte da vida" (dotado de um princípio de organizaçom sistema circulatório, capacidade de reciclagem e excreçom, com propriedades sensitivas e mesmo algumhas cognoscitivas) discutida actualmente com apaixonamento pola Comunidade Científica Internacional, revela-nos a gravidade do problema e a enorme aincosciência com que temos agido.
Se evoluindo das formas simples a outras mais complexas, 15.000 milhons de anos de existência do universo e 4.000 milhons de anos de existência da vida criárom a humanidade actual ou a "matéria que tem consciência de si própria", o actual processo de desenvolvimento imolado em aras do Deus dinheiro e da Deusa produtividade, coloca-nos um dilema cósmico: se somos filhos/as e produto de um parto cósmico em que do caos originário surgiu o universo actual e nós aparecemos como o produto mais organizado e elaborado, temos progressivamente o conhecimento, poder e capacidade para orientarmos a evoluçom do cosmos e mesmo devolvê-lo ao nada originário. A chave do dilema está no nosso desenvolvimento ético.